Resumo da Exposição “coisa porosa e fluida” e demais atividades do artista Fábio Fialho
A Sala Verde UFSC recebeu, entre os dias 26 de março e 09 de abril de 2026, a exposição “coisa porosa e fluida”, do artista Fábio Fialho, com curadoria de Gabriel Bicho. A mostra integrou a programação da Semana de Arte com Educação Ambiental e Acolhimento à Comunidade, reforçando o compromisso com o diálogo entre arte, ciência e natureza.
A exposição foi uma das selecionadas no Edital de Ocupação Artística do Jardim Experimental da Sala Verde UFSC (EDITAL Nº 012/SV/CGA/GR/UFSC/2025), iniciativa que promove a ocupação do espaço por artistas e coletivos, incentivando processos criativos em diálogo com a educação socioambiental.
Aberta a todes e gratuita, a exposição convidou a comunidade interna e externa à UFSC a vivenciar um conjunto de obras que ultrapassam a ideia tradicional de objeto artístico, propondo experiências sensíveis com os ciclos da vida e do ambiente.
🌿 Sobre a exposição
“coisa porosa e fluida” reúniu esculturas biofílicas em baixo-relevo, chamadas de forófitos, produzidas entre 2016 e 2024. As obras são concebidas como superfícies vivas, capazes de acolher e interagir com organismos como musgos, líquens, algas e pequenas plantas, que se desenvolvem ao longo do tempo.
“Forófítos são plantas, geralmente árvores, que fornecem substrato para o suporte e o crescimento de epífitas (plantas que vivem sobre outras).”
Instaladas inicialmente em ambientes naturais, como a Mata Atlântica em Sambaqui (Florianópolis), essas esculturas mimetizam texturas e dinâmicas da natureza, funcionando como interfaces entre o construído e o vivo. Ao longo do tempo, elas são transformadas por processos biológicos e ambientais, tornando-se territórios de vida e experimentação estética .
Mais do que objetos, as obras se configuram como “acontecimentos”: espaços onde fluxos vitais se entrelaçam, revelando a continuidade entre matéria, tempo e ambiente .
Imagem da exposição “coisa porosa e fluida” no jardim da Sala Verde UFSC
🌱 Arte, ciência e natureza em diálogo
Artista, escultor e pesquisador em Biologia de Fungos, Algas e Plantas pela UFSC, Fábio Fialho desenvolve uma prática que integra arte, arquitetura e biologia. Seu trabalho investiga como materiais e organismos coexistem, propondo uma reflexão sobre os limites entre o natural e o artificial.
Como destaca o curador Gabriel Bicho, a exposição proporciona ao público:
“uma experiência das transformações naturais da vida, mediando através das artes o papel que a natureza exerce sobre os suportes tangíveis que permeiam nosso cotidiano.”
Imagem de duas das obras de Fábio Fialho na Exposição no jardim da Sala Verde UFSC
👤 Sobre o artista
Fábio Fialho é artista, escultor e pesquisador doutorando em Biologia de Fungos, Algas e Plantas pela UFSC. Desde 2016, desenvolve pesquisas com materiais biofílicos, criando esculturas em baixo-relevo que acolhem e interagem com organismos vivos, como musgos e líquens.
Realizou sua primeira exposição individual em 2018, no Jardim Botânico de Florianópolis, e participou de exposições no Brasil e no exterior, incluindo a Bienal de Escultura Valldoreix dels Somnis (Espanha). Sua produção articula arte, arquitetura e biologia, criando obras que funcionam como interfaces porosas entre o urbano e o natural.
🔗 Acesse o portfólio do artista
Para conhecer mais sobre a trajetória e os trabalhos de Fábio Fialho, acesse seu portfólio:
📎 AQUI
Além da exposição, o artista ministrou a oficina de Confecção de Esculturas Forofíticas, no dia 26 de março, onde os participantes aprenderam técnicas de modelagem para confecção de pequenas esculturas tridimensionais biofílicas, ou seja, que conectam os seres humanos com a natureza, produzindo o bem-estar físico e mental.
As peças foram construídas com arames, revestidas com feltro reciclado e substratos. Com o tempo as obras passam a abrigar musgos, liquens, plantas e outros seres vivos, criando uma comunidade biodiversa. As esculturas ficaram à mostra na exposição e ao final foram levadas para casa dos participantes. E algumas continuam ainda expostas na Geodésica da Sala Verde UFSC.
As obras exploram as interações entre arte, natureza e tempo, transformando o objetivo escultórico em uma estrutura viva e porosa, em constante diálogo com o ambiente.
Imagem das esculturas forofíticas confeccionadas durante a Oficina
No dia 02 de maio, a comunidade foi convidada a visitar o ateliê vivo do artista, no Sambaqui. Os participantes conheceram obras biofílicas, que interagem com a natureza, em um espaço na Mata Amazônica. Durante a visita, Fábio apresentou o processo de criação e manutenção das obras, e teve um diálogo com os visitantes sobre educação ambiental e sustentabilidade.
Imagem retirada durante a visita ao Ateliê do artista Fábio Fialho
E na manhã de quinta-feira (9), aconteceu a oficina de restauração do Boi de Mamão Gigante, exposto no jardim experimental da Sala Verde UFSC. A iniciativa encerrou a Semana de Arte com EA e Acolhimento à Comunidade.
O processo de restauração utiliza técnicas de modelagem para criar superfícies biofílicas a partir de materiais reciclados e bio receptivos. A proposta foi transformar a escultura do Boi em um forófito, que fornecerá substratos para o crescimento de plantas epífitas, musgos, líquens e outros seres vivos.
A escultura do Boi possui aproximadamente 2 metros de largura x 3 metros de comprimento x 2 metros de altura. Originalmente feita em papietagem, a obra gera a interação entre a arte e a natureza passando a se tornar uma comunidade biodiversa. “É uma maneira de interligar a arte e o meio ambiente, uma forma de diálogo sobre a importância da vida natural” – diz Fábio Fialho.
Imagem da restauração da escultura do Boi de Mamão gigante da Sala Verde UFSC com a técnicas de modelagem com feltro para criar uma superfícies biofílicas
Os participantes auxiliaram na restauração do boi, fazendo a costura do feltro reciclável e bolsas de suporte para as plantas. A escultura também foi realocada para frente e de frente para o acesso ao BU. A cabeça foi restaurada com papel reutilizado e cola de polvilho. O próximo passo é concluir os acabamentos internos.
Imagem da restauração da cabeça do Boi de Mamão com papel
O Boi de Mamão Gigante foi construído em novembro de 2024, na Oficina de Cultura Popular e Sustentabilidade: Confecção de um “Boi de Mamão” Gigante com Reutilização de Materiais. A atividade fez parte do aniversário de 20 anos da Sala Verde UFSC e foi confeccionado reaproveitando materiais que seriam descartados. Mais informações desta atividade AQUI






















