Vem aí a Semana da Árvore UFSC! De 15 a 19 de setembro, a Sala Verde UFSC e a Coordenadoria de Gestão Ambiental promoverão uma programação especial dedicada à valorização e à preservação do meio ambiente. Para abrir esse momento, lançamos uma edição especial do Papo Verde – CONVERSAS, com foco na Unidade de Conservação Ambiental do Desterro (UCAD), criada em 1995 e responsável por preservar 1,2% da mata nativa da Ilha de Santa Catarina.
Com 30 anos de existência, a UCAD representa um dos mais importantes refúgios de Mata Atlântica em processo de regeneração no sul do Brasil. Localizada na região do Saco Grande, em Florianópolis, a área tem papel fundamental na conservação da biodiversidade e na manutenção das bacias hidrográficas que abastecem comunidades próximas.
Apesar de sua importância, a UCAD enfrenta desafios relacionados à infraestrutura, segurança e integração com as políticas institucionais da universidade, o que motivou novas ações de reestruturação e valorização do espaço.
Durante um encontro, realizado na própria UCAD, a sala Verde UFSC conversou com Silvânio Guilherme da Costa, biólogo e jardineiro da unidade há 29 anos, e Silvia Venturi, coordenadora atual. Eles compartilharam histórias, desafios e perspectivas sobre a importância desse espaço, que funciona como um verdadeiro laboratório vivo a céu aberto, apoiando atividades de ensino, pesquisa e extensão na UFSC.
Confira a entrevista na íntegra:
Qual é a importância ecológica da UCAD para a Ilha de Santa Catarina, especialmente em relação às bacias hidrográficas do Saco Grande e Ratones?

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A unidade de conservação corresponde a 1,2% do território da ilha de Florianópolis e tem uma função fundamental na questão da água, fornecendo a diversas comunidades aqui do entorno do Saco Grande e Ratones. A floresta, está se regenerando e aumentando o acúmulo de água, que é dispersa para as bacias hidrográficas.
Como a UCAD contribui para a preservação da Floresta Tropical Atlântica e da biodiversidade local?
Como era uma área que estava degradada por ter sido usada para agricultura, hoje ela está em plena regeneração. Vegetais que antes não tinham e até mesmo a fauna estão voltando — isso é importante.
A UCAD é um ponto de alta diversidade justamente porque é uma área extensa e contínua de floresta preservada e, com isso, a fauna vem. Então, é um local de preservação bem importante e que já faz parte das políticas públicas de reintrodução de fauna do município.
Quais são os principais objetivos da UFSC ao administrar a UCAD desde 1995?
A conservação, pesquisa científica e educação ambiental. Nós costumamos receber alunos da universidade e também de outras instituições e escolas aqui do entorno. E na questão da pesquisa, ela serve de apoio aos laboratórios da UFSC. O pesquisador vem aqui à campo, busca seu material e leva para os centros de pesquisa da biologia, geografia ou da agronomia — até mesmo de outros cursos.

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Como a reestruturação recente da UCAD busca fortalecer seu papel como laboratório vivo para ensino, pesquisa e extensão?
Como a última coordenadora da Ucad se aposentou em 2016, faz bastante tempo que não é estimulado esse trabalho. Os professores que já conheciam a unidade de conservação continuaram trazendo suas turmas e pesquisas para cá.
A ideia agora é resgatar essa função que foi o objetivo da criação da UCAD, servir de um laboratório vivo. A preservação está em dia, porque a área não precisa de grandes cuidados para se manter.
A redução de verbas para a universidade, a falta de recurso financeiro e humano também — ter uma uma equipe se dedicando exclusivamente à estrutura da UCAD. Tudo precisa ser reorganizado: a segurança, vigilância da sede e do próprio entorno, os limites e cuidado com invasões. Ao meu ver, o primeiro passo que precisa ser dado aqui é cuidar da vigilância para que a estrutura, quando não tem ninguém aqui, não seja depredada por vandalismo e furtos.
Quais são as perspectivas futuras para a UCAD em termos de expansão, parcerias e impacto ambiental?
A gente sempre espera que os órgãos do governo e a UFSC assumam o que é deles. Eu estou aqui há 29 anos e nos últimos tempos eu vi que a coisa meio que desandou. Vejo que tem um potencial grande nesse lugar, e ele tem que ser olhado como se fosse uma vitrine da universidade.
Nós já contamos com uma maior proteção com relação a invasão, porque antes era só uma área particular, embora nós chamemos de Unidade de Conservação Ambiental Desterro, a nossa área nunca foi incorporada ao Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC).
Esta era uma unidade de conservação para nós, mas não era uma unidade de conservação oficial. E isso faz com que, por exemplo, a universidade quisesse vender essa área, poderia vender para especulação imobiliária, para o uso de acordo com o plano diretor do município.
Hoje, por estar dentro de uma uma unidade de conservação de proteção integral, tudo que se pode fazer aqui é ensino, pesquisa, extensão — educação ambiental e pesquisa científica. Já não faz sentido o proprietário, por exemplo, de uma área do entorno querer invadir para colocar gado, porque ele não pode.
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A UCAD é um exemplo vivo de como a proteção ambiental e a pesquisa caminham juntas para garantir um futuro mais justo e sustentável. Durante a Semana da Árvore UFSC, vamos ampliar esse diálogo e promover ações voltadas à valorização da nossa biodiversidade.
💚 Participe da programação, conheça a UCAD e inspire-se a cuidar das nossas florestas!
Fique atento às nossas redes e ao site da Sala Verde para conferir a programação completa.
Texto e entrevista realizados pelo bolsista de Jornalismo Matheus Alves, com orientação das servidoras da Sala Verde.