Oficinas Online – Dezembro 2020

21/11/2020 10:58

Agrotóxicos

03/11/2020 12:16

A cada ano que passa, pesquisadores, ambientalistas e até mesmo o cidadão que busca uma alimentação mais consciente se assusta com os perigos “invisíveis” que o agrotóxico pode causar na nossa saúde e também no meio ambiente. 

O relatório do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA), coordenado pela Anvisa em conjunto com órgãos governamentais e municipais, publicou em 2019 o resultado de testes realizados entre 2017 e 2018 que analisaram amostras de alimentos representativos da dieta brasileira, como o arroz, a laranja, o tomate, a alface, o alho, entre outros, para avaliar os riscos de curto prazo (doses altas) a longo prazo (acúmulo de doses baixas) de intoxicação por exposição a essas substâncias químicas danosas. Veja na tabela a seguir, os resultados da pesquisa de resíduos tóxicos por alimento, em conjunto com os agroquímicos identificados e seus efeitos.

De acordo com essa pesquisa, foram registrados até 270 agrotóxicos diferentes no total, 16% a mais do que na edição anterior do relatório. No geral, o agrotóxico mais encontrado foi o imidacloprido, que apareceu em 16% dos casos. O inseticida é o oitavo agrotóxico mais vendido no Brasil, com 10 mil toneladas comercializadas em 2018, segundo o Ibama. Ele é um neonicotinóide, derivado da nicotina, que tem capacidade de se espalhar por todas as partes da planta. Ou seja, descascar o alimento ou lavá-lo não é suficiente para retirar todos os resíduos. Ele também é fatal para polinizadores, como a abelha. 

A agência concluiu que de mais de 1.000 amostras, 230 apresentaram algum risco e apenas 41 têm potencial de risco agudo, desse grupo 27 eram laranjas, então, a cada 14 laranjas vendidas nos mercados, uma tinha agrotóxico suficiente para causar uma intoxicação imediata em quem consumiu – um cenário preocupante para um país onde a fruta é consumida com frequência. 

“O risco agudo inclui uma gama de sintomas como enjoo, dor de cabeça, alteração do ritmo cardíaco e respiratório, em alguns casos podendo levar a pessoa a ser hospitalizada”, explica Karen Friedrich, da Fiocruz.

Com isso há fatores importantes a serem considerados. Além da intoxicação pela ingestão desses alimentos, os números também revelam que a contaminação da água está aumentando cada vez mais. Outra pesquisa, realizada com esforço conjunto da Agência Pública e Repórter Brasil mostram os seguintes dados: “Em 2014, 75% dos testes detectaram agrotóxicos nas águas. Subiu para 84% em 2015 e para 88% em 2016, chegando a 92% em 2017”. Conclui-se então que, nesse ritmo, em alguns anos pode ficar difícil encontrar água sem agrotóxico nas torneiras do país.

Comparando os dados apresentados, percebe-se que a região Centro-Sul do país representa uma das áreas mais contaminadas por agrotóxicos e, consequentemente, os estados com mais mortes por contaminação. De fato, não é por acaso que o estado de São Paulo é um dos maiores produtores de laranjas do Brasil, e do mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) são registradas 20 mil mortes por ano devido ao consumo de agrotóxicos. Os principais afetados são os agricultores e trabalhadores das indústrias de agrotóxicos, entretanto, o efeito nocivo dessas substâncias pode ir além da contaminação direta no momento da aplicação ou do território onde fica a plantação, gerando um número de mortes e adoecimentos que não aparecem nas estatísticas, como doenças por exposição crônica, como o câncer, e o transtorno mental, por exemplo, a  depressão, que crescem cada vez mais.

O Brasil se tornou o maior consumidor de veneno agrícola desde 2008, o que decorreu do desenvolvimento do agronegócio no setor econômico. Há sérios problemas quanto ao uso desses venenos no país, inclusive a permissão de agrotóxicos já banidos em outros países e a venda ilegal de agrotóxicos que já foram proibidos. Enquanto a Europa vem reconhecendo gradativamente desde 2007 a relação de doenças, como por exemplo o mal de Parkinson, associado ao consumo desses resíduos nos alimentos, dados revelam que o governo brasileiro vai contra esse movimento, sendo atualmente o segundo maior comprador de agrotóxicos fabricados em solo europeu. São 41 tipos diferentes de agrotóxicos proibidos dentro do bloco europeu, mas autorizados para fabricação e exportação. Uma contradição. 

Após toda essa discussão, surge a seguinte pergunta: existem alternativas? 

A resposta é sim, a agroecologia, a qual deve ser compreendida como ciência e prática interdisciplinar que considera não só o conhecimento científico, advindo das ciências agrárias, da saúde, humanas e sociais, mas principalmente as técnicas e saberes populares (dos povos tradicionais) que incorporam princípios ecológicos e tradições culturais às práticas agrícolas gerando uma agricultura sustentável e promovendo a saúde e a vida digna. Tem como princípios fundamentais: solidariedade, sustentabilidade, preservação da biodiversidade, equidade, justiça social e ambiental, soberania e segurança alimentar e nutricional. Além disso, práticas simples, como procurar saber a procedência do produto escolhido, comprar alimentos da estação e de agricultores locais e, se for possível, ter uma pequena horta são atitudes que já fazem a diferença na nossa qualidade de vida.  

Você se interessou pelo assunto sobre práticas saudáveis?  Acompanhe as oficinas da Sala Verde UFSC (no momento online) para uma melhor qualidade de vida e compartilhe seus conhecimentos e experiências. 

 

Fontes:
https://apublica.org/2020/10/laranja-pimentao-e-goiaba-alimentos-campeoes-de-agrotoxicos-acima-do-limite/

https://portrasdoalimento.info/2020/09/10/brasil-e-2o-maior-comprador-de-agrotoxicos-proibidos-na-europa-que-importa-alimentos-produzidos-com-estes-quimicos/ 

https://www.brasildefato.com.br/2019/08/22/mais-de-70-das-mortes-por-agrotoxicos-ocorrem-nas-regioes-sudeste-e-nordeste
https://www.inca.gov.br/exposicao-no-trabalho-e-no-ambiente/agrotoxicos

Oficinas Online – Novembro 2020

29/10/2020 08:31

As oficinas acontecerão pelo Conferência Web, sempre pelo link abaixo, na data e horário marcados.
https://conferenciaweb.rnp.br/webconf/sala-verde-ufsc

Crochê Tunisiano:

Inscrições: http://inscricoes.ufsc.br/activities/5427

Leites e Queijos Vegetais:

Inscrições: http://inscricoes.ufsc.br/activities/5499

Encontro com Constelação Familiar Sistêmica:

18/11: http://inscricoes.ufsc.br/activities/5449
19/11: http://inscricoes.ufsc.br/activities/5450

Ecocaderno:

Inscrições: http://inscricoes.ufsc.br/activities/5534